sábado, 7 de janeiro de 2012

A Mulher nas Capas do Meia.


Em 2005, o grupo dono do Jornal O Dia, jornal popular do estado do Rio de  Janeiro, lançou o Jornal Meia-Hora, uma espécie de tabloide que teria em suas páginas a mesma qualidade de notícias, em menor espaço e com um custo muito menor para o leitor. Com slogans do tipo “Nunca foi tão fácil ler jornal” e “Se tempo é dinheiro meia hora é só R$ 0,70”, o jornal foi lançado com o intuito de atingir um público que segundo o site Wikipedia: “não tem recursos e/ou tempo disponível para ler jornais”. Uma pesquisa feita pelo próprio grupo O Dia teria chegado a essa conclusão, tendo então determinado como seu “segmento alvo” as classes C e D.

Depois de seis anos de publicações, o Meia-Hora é reconhecidamente um 
jornal de grande circulação, mas que recebe inúmeras críticas quanto à linguagem 
informal, principalmente pelo uso de gírias. 

Vale ressaltar a atual conjuntura cultural e social do Brasil, na qual os meios de comunicação são parte de grandes grupos midiáticos, o que se coloca como um desafio ainda maior no que tange à desconstrução desses modelos. 
Esses grandes grupos (que segundo algumas organizações da sociedade civil seriam compostos hegemonicamente por 11 famílias) controlam a maior parte do mercado de                                                         comunicação, fomentando e reproduzindo muitas vezes relações de opressão, preconceito e criminalização, visando a manutenção da ordem burguesa tal qual a conhecemos no século XXI. 


Nesse sentido, falar de gênero, assim como falar de qualquer outra construção/conceito histórico, é atentar para o momento e o local de onde se fala e para quem se fala. Ou seja, pensar e entender que: “a atribuição de espaços sociais diferenciados para homens e mulheres; é uma situação de discriminação feminina que lembra outras, presentes em diferentes momentos históricos, em diversas partes do mundo. Os processos que conduzem a essa situação não são idênticos e é importante prestar atenção às particularidades de cada caso. Mas há algo em comum, toda discriminação costuma ser justificada mediante a atribuição de qualidades e traços de temperamento diferentes a homens e mulheres, que são usados para delimitar seu espaço de atuação.” (ADRIANA PISCITELLI



Pensar a forma como as mulheres são mostradas e/ou se mostram na mídia hoje, é pensar seu papel historicamente construído, é pensar também como essa mulher se vê enquanto sujeito e pauta na imprensa escrita e falada. Além de buscar estratégias de luta uma vez que as relações se reconfiguram em cada momento histórico. 
O que vemos hoje é o recrudescimento dessas relações nas quais as mulheres são reduzidas a coisas, a mercadorias e muitas vezes, de acordo com a referencia realizada, a seres não pensantes. 

Historicamente nós mulheres fomos oprimidas, vivemos a mercê das vontades do pai, do irmão, do marido e assim por diante, sempre “sob a tutela” de um homem. Além disso, o papel feminino na sociedade capitalista e em várias outras, esteve e ainda está ligado a uma imagem de sensibilidade, maternidade, submissão, entre outras dimensões, fato que deve ser destacado nesta discussão. 

Em tempos neoliberais, a ideologia hegemônica abarca dentre outras formas de ver o mundo, aquela que entende que mulher deve ser bonita, elegante, ter os cabelos lisos e se possível louros (considerando a cor de sua pele). Quando o "ser bonita" significa ser branca, magra, vestir-se bem - no sentido de ter acesso às marcas mais caras do mercado - e estar com o corpo na melhor forma, que por sua vez significa além de estar magra, ter seios e bumbum avantajados, se possível través da utilização de próteses de silicone (fato também reprovado por alguns atores deste debate). Quando não seguindo esse padrão, a mulher deve, por uma espécie de convenção subjetiva, seguir o modelo de mulher colocado nas grandes produções de novelas que tendem a ser muito parecidos. Como por exemplo, quando se tem uma protagonista negra na novela de maior audiência, nesses casos é possível que as mulheres negras que tem cabelos crespos “estejam na moda”. Ainda assim, a protagonista mantém uma lógica de comportamento submisso, da mulher branca de classe média e que vive em um mundo surreal, que é adaptado à realidade das muitas mulheres atingidas por esse meio de comunicação. Referente a essa temática Piscitelli (2009) faz uma leitura interessantíssima sobre as discussões das feministas do “Terceiro Mundo” quando coloca que: 

“... As mulheres negras, quando escravizadas não foram constituídas como mulheres do mesmo modo que as brancas. Elas foram constituídas simultaneamente e termos sexuais e raciais como fêmeas, próximas dos animais, sexualizadas e sem direitos, em uma instituição que as excluía do sistema de casamento...” 

Faz-se necessário, atentar para outra questão muito importante: cada um dos itens que compõe a “mulher ideal” ou o “modelo de mulher” estampado na capa do Jornal Meia-Hora do Rio de Janeiro – e na maior parte dos meios de comunicação brasileiros – é motor de grandes mercados (guardadas as devidas proporções, fundamentalmente considerado as camadas às quais o jornal atende, ou seja, as camadas mais mal remuneradas da sociedade). Sejam eles os mercados de grandes marcas, de produtos cosméticos, de clínicas de estética ou mesmo o mercado da grande mídia. Além disso, o conteúdo do jornal atua no sentido de reafirmar a submissão da mulher, comparando-a frequentemente a um objeto, ligando sempre sua imagem a submissão em relação ao homem especificamente ou 
ainda fomentando estereótipos. 



Nas capas do referido jornal, estão colocadas inúmeras situações envolvendo mulheres. Algumas chamadas, as menosprezam na relação amorosa, por exemplo, o casal teen Selena Gomez e Justin Bieber, foi fotografado em um passeio romântico, mas a cantora foi chamada de “peguete”, gíria usada para se referir a parceira como um passa tempo, onde não haveria uma relação de compromisso entre o homem e a mulher. Isso reflete a idéia de que o homem “por natureza” seria passível de ter vários relacionamentos amorosos ao mesmo tempo, enquanto a mulher que estaria nessa relação não representasse mais que um objeto para aquele parceiro que pode estar com ela e com outra sem maiores preocupações com a opinião alheia, um comportamento socialmente aceitável, uma vez que homens seriam “naturalmente” infiéis. 


A naturalização das relações entre homem e mulher pode ser analisada por diversos aspectos. Muitos autores renomados que fizeram e fazem análises a esse respeito, demonstram que essas relações, assim como as instituições que as mantém sob uma ideologia hegemônica, foram historicamente construídas em diversas sociedades e em muitas culturas diferentes. Nelas, homem e mulher tem papéis sociais baseados em uma cultura dada sob um modelo “legitimado pela natureza” principalmente no que tange à reprodução humana, na qual a mulher teria o papel principal de reprodutora da vida em âmbito privado, enquanto o homem participaria dessa relação atuando no âmbito público, consequentemente na sociedade capitalista mais especificamente, nas relações que se dão no mercado e na produção material. 


Para M.J. IZQUIERDO , em vez de estudarmos “machos e fêmeas” de forma habitual, há de se pensar as relações como “produto da interação entre natureza e cultura”. Uma vez que as condições biológicas estão postas, não há possibilidade de ignorá-las, assim, a autora faz uma análise importantíssima da mesma forma que outros nomes importantes dentro dessa temática. 


Sendo assim, é possível perceber nas inúmeras chamadas do jornal, que a imagem da mulher está sempre ligada em alguma medida a situações naturais ou ainda a animais como em certa chamada de notícia na qual a referência feita à modelo paraguaia Larissa Riquelme é a de potranca paraguaia. 



Colocando em questão a forma de representação dada a homens e mulheres ao “masculino e o feminino” nas capas do referido jornal, não é difícil perceber que mulheres são colocadas como seres inferiores e por isso submissos e menos inteligentes, ou resumidas a sua beleza física (atentando sempre para que beleza é essa, conforme citado anteriormente). Um exemplo disso foi a chamada para uma matéria que citava uma ex-participante de um reality show como leitora assídua do jornal em questão: a gente já sabia, além de linda, Pri é inteligente. O que a meu ver caracteriza o ideário de que as mulheres bonitas, em regra, não seriam inteligentes, ou não poderiam ser. 



Nessa discussão não se pode fechar os olhos para as questões de casse que com um olhar mais cuidadoso podem ser identificadas nas chamadas do jornal. Aquelas mulheres que aparecem nas noticias por qualquer outro motivo que não venha em função da fama, ou da grande mídia, vai haver em regra, referências pejorativas, e ainda mais agressivas, principalmente quando a noticia trata de algo ligado a crimes ou práticas ilícitas, como é possível perceber na figura a seguir:



Considerando além das relações de gênero e classe, cabe citar também as questões de raça, a notícia citada não tem fotografias e não mostra a raça/etnia da mulher em questão, mas considerando os números apresentados nos órgãos de segurança e certa empiria, que demonstram que as mulheres que são presas tentando ingressar no sistema penitenciário com drogas ilícitas, em sua maioria são negras, pobres e moradoras das periferias da cidade. 

Ainda nesse contexto Izquierdo ao falar sobre as bases sociais do sistema gênero/sexo fala sobre os modelos que se impõem sobre as pessoas em função de seu sexo. Para tal ela cita Marx, em sua Contribuição Crítica à economia Política: 

“Na produção social de sua existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade. Estas relações de produção correspondem em grau de determinado desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política a qual correspondem formas sociais determinadas, de consciência. Não é a consciência dos homens o que determina a realidade, ao contrário a realidade social é a que determina sua consciência”. 


Ainda que tenha buscado inserir nesta discussão autores que tratam da temática de gênero, o tempo de pesquisa, o pouco tempo de discussão podem não ter sido suficientes para uma boa análise, contudo, esta não se encerra aqui, uma vez que as capas deste importante meio de comunicação podem ser discutidas inúmeras vezes dentro da temática de gênero, de classe, de raça/etnia, enfim. 

Cabe dizer mais uma vez que grande parte das camadas populares da cidade tem acesso a esse jornal, que sua circulação se dá em grande escala e que estão colocadas em suas páginas referências que colocam a mulher como um ser resumido a uma beleza estética, ou ao delito cometido ou ainda como “monstro” em situações que envolvem crianças. Principalmente quando essas mulheres-mães não atendem às expectativas sociais, que as determinam como grandes responsáveis pelo cuidado com a família. Não foi possível recuperar as capas que tratam desses casos, porque aconteceram fora do período de acompanhamento das notícias. 

 Sendo assim as estratégias devem ser discutidas coletivamente, principalmente porque os próprios sujeitos envolvidos, estariam sempre em uma posição alienada e sem discussão a cerca dessas questões que estão sendo naturalizadas no nosso cotidiano, sobre isso cabe citar outra autora:

“[...] Assim, parece “natural” que caiba ao sexo feminino uma série de tarefas associadas ao papel que a mulher ocupa no processo reprodutivo. O cuidado com a prole é sempre destinado às mulheres, mas este se situa para além do papel propriamente reprodutivo. Entretanto, ainda assim recebe uma carga de atributo pré-social da condição feminina. As mulheres  estariam assim, ideologicamente, representadas como mais presas ou imersas no plano natural do que os homens [...]." (MARIA LUIZA HEILBORN)

 As capas do jornal Meia-Hora revelam mais do que estas poucas linhas tentaram expor. A forma como os meios de comunicação de massa existentes no Brasil, em sua maioria mantém a reprodução dessas relações marcadas pela submissão feminina e em alguns momentos como em muitas capas e matérias do Jornal em questão, pelo desrespeito à mulher como sujeito de direitos e protagonistas de lutas que a cada dia se colocam de forma impar, mas que ainda assim são ignoradas. 















sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Na verdade: Obrigada!

Nesse dezembro, eu disse a mim mesma: esse ano não quero desejar Feliz Natal/Ano Novo a ninguém... 
Não por estar chateada, triste ou coisa do tipo, só acho que não tem importância.
Hoje, me peguei pensando novamente nisso, e ao fazer um balanço desse ano, atentei para um detalhe: o ano não foi dos piores. 
A vida me reservou grandes tristezas nos últimos anos, tristezas essas que foram além, e que se tornaram experiencia, pura e simples.
A cada ano que passa, eu aprendo, não fui mandada pra esse mundo a toa...
Não fui moldada pra deixar passar. 
Por isso, eu me permiti dividir as impressões que guardei desse ano... 
Não todas, seriam muitas. Mas algumas, que também não são as mais importantes, mas que devem ser socializadas. 
Nesse ano, eu descobri o que me faz feliz, eu descobri também que eu posso mais do que eu imaginei, e que alguém estava certo quando disse: eu confio e sempre confiei que você conseguiria. 
Consegui o quê? continuo pobre, continuo "fora dos padrões de beleza", continuo briguenta, continuo "chata"....
mas estou mais certa do que quero, consegui me libertar das amarras desse mercado de trabalho que nos suga, aderi a uma nova forma de atuação, encontrei novos objetivos e me tornei mais madura.

Nesse ano, passei por mais uma perda, que reforçou a ideia de que não somos absolutamente nada de importante, nossa vida é um fio de cabelo, e a vida deve ser intensamente vivida, e que os nossos medos precisam ser superados, principalmente em favor da nossa liberdade, felicidade e completude. 

Quero agradecer a vocês minhas/meus amig@s,

da minha família,
da universidade,
das baladas,
dos bailes,
das lutas,
dos trabalhos,
dos bares,
da favela, 
do facebook,
etc, etc, etc ... 

quero agradecer de forma especial, aquel@s que nos momentos de angústia estiveram ao meu lado, que me abraçaram, que ajudaram a secar minhas lágrimas, fossem elas de dor, de alegria, de angústia, ou simplesmente "de" vontade de chorar....

Obrigada a tod@s que de alguma forma fazem parte da minha vida ....

Tenham um ano novo maravilhoso, com luz, sabedoria, saúde, alegria, amor,     e força, muita força! 





sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOS EDUCAÇÃO... ô orgulho!

Há algumas semanas @s professor@s do Estado do Rio de Janeiro estão em greve. Ganham mal, não tem condições de trabalho, são obrigad@s a passar por uma série de problemas, constrangimentos e ameaças. Não tem autonomia, não conseguem se aprimorar e sofrem com todos os rebatimentos que qualquer categoria profissional sofre dentro desses modelos de políticas sociais falidas, com o agravo de que estão formando “o futuro do país”...
Essa semana minha mãe recebeu uma ligação da escola do meu irmão - Colégio Estadual Luiz Carlos da Vila, escola modelo, inaugurada recentemente pelo então presidente Luis Inácio “Lula” da Silva no Complexo de Manguinhos (que na verdade está localizada em Benfica) – do outro lado da linha, a secretária dizia ser necessária a presença d@ responsável pelo aluno para uma reunião com a diretora “por problemas disciplinares”. À tarde o moleque chega em casa dizendo ter “descoberto” o motivo da reunião (que não foi informado aos pais no momento da ligação): ele e mais algum@s alun@s protestaram pela educação, não respondendo ao cartão de respostas de uma prova de avaliação que tem o melhor estilo ENADE. E não foi só isso, a molecada colocou no local das respostas um "S.O.S EDUCAÇÃO"... \o/
Depois de chegar ao local da reunião com 30 min. de atraso, a diretora Claudia, iniciou sua explanação muito calmamente (uma vez que os pais e as mães já se mostravam impacientes) falando da importância da “tal” prova na avaliação “do que precisa melhorar na educação” da molecada. Ao apresentar o que houve, frisando sempre que não estava ali para declarar seu posicionamento sobre o ocorrido e sim para colocar os pais e mães a par do que houve ela mostrou o resultado, do que eu considerei uma excelente demonstração de que a juventude questionadora não está perdida: os cartões de resposta, com a resposta do que @s alun@s consideraram ser o correto.
Os pais e mães aprovaram o protesto d@s filh@s, declararam sua insatisfação com a “escola modelo” na qual @s alun@s já sofrem com a falta de professor@s desde antes da greve, ou seja, o fracasso desse modelo de educação está tão falido na “escola modelo” quanto nas outras, e mais: existe um claro indício de que noss@s alun@s do Ensino Médio estão sendo formad@s para os tecnólogos da vida. El@s só precisam provar que aprenderam bem Português e Matemática, já que o governo do estado só avalia essas duas disciplinas.
Segundo um aluno que estava presente na reunião e que fez a prova, o nível de avaliação é tão baixo que exige interpretação de texto em perguntas do tipo: Ana foi à padaria... Onde Ana foi?
Levando em consideração o que foi dito por alguns alunos quanto à avaliação perguntei a professora Claudia se aquele SOS Educação, não significou que @s alun@s queriam demonstrar que não se sentem preparados para ser avaliados e a resposta dela? O silêncio.
Sendo assim, eu que estive naquela reunião e que acompanho a atual situação das escolas de ensino médio do Rio, e mais, que acompanho os noticiários, entendo que essa prova, de nível tão baixo, só quer maquiar o momento em que vivemos: somos o penúltimo estado no ranking de educação...
Precisamos alimentar essa necessidade que os jovens vem sentindo de questionar o ensino que estão tendo, precisamos encorpar a luta d@s professor@s desse estado. Cabe dizer também, que no dia daquela reunião: 30/06/2011, professoras representantes do sindicato foram proibidas de entrar na escola...
Saudações...

sábado, 30 de abril de 2011

@s Que Virão

Descobri que o Movimento Estudantil, pode fazer diferença, não só nas universidades (públicas e pagas) mas que pode fazer a diferença na luta por uma sociedade diferente. Uma sociedade igualitária, justa.

Passamos recentemente por um momento histórico no Movimento  Estudantil do Serviço Social: o 33º Encontro de Estudantes de Serviço Social da região V (Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) terminou com a eleição de uma nova "equipe" que vai atuar na ENESSO (Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social) que propôs que @s estudantes sejam efetivamente construtor@s de um ME legítimo, que quer um ensino de qualidade e gratuito para tod@s, não só para um pequeno grupo. Porque sim! compas nós somos um pequeno grupo, um pequeno grupo que precisa lutar, e não simplesmente se acomodar em suas posições de estudantes universitários da UFRJ, enquanto a maior parte da população brasileira, ou não tem acesso à Universidade Pública, ou vende sua força de trabalho para poder estudar.

A chapa Metamorfases, que concorreu a ENESSO, e que foi vitoriosa com 85% dos votos das escolas de Serviço Social, na cidade de Vitória-ES, reuniu estudantes dos três estados, de escolas públicas e pagas e que decidiram juntamente com outr@s (pelomenos) 20 estudantes, mostrar que não estão satisfeit@s com a forma que o MESS vinha sendo conduzido. 

O que queremos é que o MESS seja efetivamente para @s alun@s, que nossas "pequenas" demandas não sejam deixadas de lado. É claro, que temos consciência de que essas "pequenas demandas" - como o racionamento de papel nos banheiros - é resultado de uma política que vem destruindo aos poucos a universidade...

Por isso nós chamd@s de "INDEPENDENTES" nos reunimos e criamos um novo coletivo, que traz novas idéias, não com o intuito de partir o MESS, mas com a necessidade de somar e colocar as nossas necessidades em destaque, buscando trazer para a luta, companheir@s de "sofrimento", porque amig@s, nós estamos sendo atacados, a universidade não precisa só ser gratuita, precisa ser de qualidade. Essa degradação que vem nos atingindo ou a "precarização" que está posta, só fortalece o discurso do capital, daqueles que querem o lucro...

Por isso o Coletivo @s que virão, se reuniu, e decidiu que  vamos lutar pela nossa universidade e por uma sociedade justa, onde tod@s tenhamos acesso,a um ensino gratuito e de qualidade... 

Segue abaixo os princípios que vão nortear nossas ações:

1. Autonomia :
Os movimentos sociais devem ser autônomos para que as demandas de seus componentes sejam o foco da luta, não o de qualquer outra organização externa. Somos apartidários (mas não antipartidários), independentes de governos, empresas ou qualquer entidade/organização/coletivo que torne nossas demandas secundárias.

2. Anticapitalismo:
Nossas lutas por igualdade, justiça, fraternidade e liberdade não cabem nesta sociedade capitalista. Assim entendemos que nossos objetivos só serão alcançados com a desconstrução desta sociedade e construção de outra. Entendemos a luta de classes como um fator central e optamos pelos interesses da classe trabalhadora.

3. Somos contrários a toda forma de burocratização:
que limita os espaços do movimento estudantil a pequenos grupos ou organizações ou espaços antidemocráticos.

4. Entendemos como central à luta do movimento estudantil a articulação com outros movimentos sociais para o fortalecimento da luta d@s trabalhador@s.


5. Pluralismo:

queremos um movimento plural com a articulação de várias ideologias com coerência frente a estes princípios e desejem se articular de forma democrática e horizontal.

6. Horizintalidade:

Defendemos um movimento construído por todos e todas, sem coronelismos políticos, através da construção coletiva de novas práticas, cultura e valores consonantes com a construção de uma nova sociedade de tod@s.

7. Construção pela base:
Defendemos que o movimento social precisa ser construído através da das demandas reais d@s estudantes, de baixo para cima, pela base e sem estruturas que distanciem as deliberações do coletivo de estudantes.


8. Democracia direta:

Como forma de tocar nossas lutas, entendemos que é central o planejamento e construção de tod@s através da democracia direta que entende a participação direta do grupo nas deliberações gerais.

9. Um movimento que combata toda forma de opressão:

Porque machismo, misoginia, homo/lesbofobia, racismo, xenofobia, preconceito ou qualquer forma de opressão são avessos ao processo de construção de uma sociedade livre e igualitária.*
 
Junt@s queremos ser alternativa para construção de um movimento forte, amplo e democrático na luta do Movimento estudantil de Serviço Social! Somos...
 
"@S QUE VIRÃO..."


Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente - 
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.



De Thiago Mello.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Na TV

Que tipo de informação temos engolido todas as manhãs…?

Que tipo de idéias estão sendo colocadas na nossa cabeça sem que percebamos?

Que tipo de valores estamos incorporando? 

Acredito que a maioria de nós, não se faz essas perguntas no dia a dia, durante os programas de TV e na leitura dos jornais. 

Hoje, pela manhã no RJ no Ar da TV Record, o apresentador Gustavo Marques, apresentou uma triste notícia que dava conta do assassinato brutal de um menino de 13 anos, em uma comunidade da Ilha do Governador, aqui no Rio de Janeiro. 
Ao falar sobre o caso, Gustavo deu espaço à dúvida sobre a ”história” de que o assassino, um rapaz de 23 anos, seria usuário de crack e teria assassinado o menino para roubar o dinheiro que este havia recebido pela venda de salgadinhos nas proximidades do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, ou o Tom Jobim, ou ainda antigo Galeão, também na Ilha do Governador.
Gustavo declarou que “é preciso ter cuidado e descobrir se o rapaz é usuário de crack mesmo, porque está virando desculpinha essa coisa de ser usuário de crack ou então de que estava possuído... (sic)”
Como sempre, utilizando cenas da dor de pais e amigos do menino, Gustavo chamou atenção para o discurso da mãe, que disse ao menino para que não fosse trabalhar vendendo salgados, já que seu pai, com esforço, conseguia comprar as coisas que ele quisesse (como), assim como pagava cursos e coisas do tipo. Ainda segundo a mãe, o menino enxergava duas possibilidades de subsistência na comunidade da Vila Juaniza: trabalhar ou “virar vagabundo”.
Ele disse que queria comprar roupas de natal, e que queria trabalhar, porque era “trabalhador”…

Diante do discurso da mãe abalada pela perda violenta do bom filho de 13 anos, Gustavo montou o seu:

“… que cabeça boa tinha esse menino, hein? Tão especial, aos 13 anos de idade, demonstra uma maturidade… queria trabalhar, que exemplo…”

Não me surpreendi com as declarações do apresentador em nenhum momento, uma pessoa de visão imediatista, está ali falando todas as manhãs com os trabalhadores do Rio de Janeiro, não sem um propósito. Nos dá uma visão limitada e equivocada da realidade.
Um menino de 13 anos, não deve ter declarações “maduras” não deve ser exemplo porque quer trabalhar, e porque enxerga que, morando numa favela só tem duas opções: trabalhar ou ser traficante. As declarações daquela mãe trabalhadora, moradora de favela, deveriam ser para nós um alerta. 

Que crianças estamos formando, por que as crianças não podem simplesmente ser crianças? 

Seja na favela - onde a mãe quer que o filho trabalhe desde cedo para ajudar a família e fugir do ambiente corrompido - seja no asfalto da classe média “alta”, onde os pais entopem a agenda de seus filhos com cursos de recreação diversos, aula disso ou daquilo, para que não corra o risco de ficar “a toa” a mercê das más companhias, nossas crianças estão crescendo antes da hora. Nossos adultos serão cada vez mais alienados, a violência estará cada vez mais posta como natural “fazendo parte”. 

Imaginemos quant@s de nós incorpora esse tipo de opinião, e esquece que tod@s queremos um mundo melhor para noss@s filh@s...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Cruzamento

Com pele queimada de sol e usando um espanador, que outrora servira de vestimenta, o rapaz de olhos cor de mel, limpa o vidro.

Recebe como cumprimento a gozação do motorista, e mostrando-se gentil devolve um sorriso ainda completo.

Tem uma aparência de pessoa saudável, mas, aquele cruzamento – a “zona do medo” – determina quem é aquele rapaz:

usuário de crack tenta conseguir um trocado para a próxima pedra, depois de conseguir o suficiente para necessidade imediata, atravessa a rua e entra na favela… por fim alivia a dor.

Sem sair do lugar, ele consegue voltar a casa, rever amigos… quem sabe reconhecer a mãe no café-da-manhã.

O efeito passa…

E o ciclo recomeça…

De volta ao cruzamento…